A OpenAI anunciou a formação de um painel consultivo independente de matemáticos para orientar a empresa e outros laboratórios de inteligência artificial em suas relações com a comunidade científica. Como tarefa imediata, o grupo deve ajudar na coordenação da divulgação de dezenas de novos resultados obtidos por um modelo de IA ainda não lançado. A iniciativa foi tomada após sucessivas controvérsias e uma crise de reputação em torno da maneira como a organização divulgou descobertas matemáticas recentes.1

Entre os anúncios questionados está a solução para o problema de Navier-Stokes, um dos sete Problemas do Prêmio Millennium sem desfecho há cerca de 90 anos. A OpenAI declarou ter iniciado o treinamento desse modelo interno em 28 de agosto. Pesquisadores, no entanto, acusaram a empresa de violar normas acadêmicas históricas e atropelar concorrentes, prática conhecida como "scooping", ao direcionar volumes maciços de recursos computacionais de última hora logo após tomar conhecimento de avanços obtidos por terceiros.1

O matemático Andreas Thom acusou a companhia de conduta desonesta e falta de transparência sobre as bases de dados de treinamento, apontando que interações anteriores de sua equipe com o ChatGPT podem ter alimentado a solução de grupos não-sóficos divulgada pela OpenAI. A organização reconheceu que um dos resultados divulgados no mês anterior teve forte base em trabalhos prévios de Thom e Gábor Kun. Em meio a esse cenário, matemáticos relataram que a constituição do novo painel ocorreu de forma confusa e manifestaram ceticismo sobre a influência real do grupo e sua capacidade de representar a comunidade acadêmica mais ampla.1